Há um mês, no dia 8 de agosto de 2025, na Casa da Cadeia, em Amarante, foi inaugurada a exposição TEIXEIRA DE PASCOAES: ENTRE RUÍNAS E FANTASMAS, de que sou curador.
“Divago entre ruínas e fantasmas. Evoco, reconstruo. Edifico um palácio com três pedras; e o espectro mais longínquo adquire, em mim, a meia realidade dos seres vivos, que os prende às coisas mortas e os projeta numa atmosfera de ilusão em que eles tomam não sei que aparência misteriosa e inatingível – a luz da vida” [Teixeira de Pascoaes, Livro de Memórias].
Teixeira de Pascoaes nasceu em Amarante, no dia 2 de novembro de 1877. Estudou Direito na Universidade de Coimbra e, já com os alguns livros publicados, regressou à Casa de Pascoaes, em São João Gatão. Trazia mais amor à poesia do que à jurisprudência e logo escolheu a literatura e os afazeres da administração agrícola. No Porto, na década de 10 do século XX, tornou-se a figura referencial da Renascença Portuguesa e do apostolado filosófico do Saudosismo. Em Lisboa, nos anos 20, habitou o epicentro do meio literário e artístico português. As últimas décadas da sua vida, passou-as na Casa de Pascoaes, com um reconhecimento que não conhecia fronteiras. Escreveu grandes biografias e obras filosóficas e ficcionais. Acompanhou a tradução de muitas das suas obras para várias línguas. Continuou a escrever poesia. Morreu no dia 14 de dezembro de 1952. Lírico e romântico, irónico e eremítico, bucólico e sublime… Pascoaes foi o poeta-filósofo da saudade, com um impressivo imaginário telúrico e fantasmático, profundamente fiel às paisagens de que a sua interioridade foi sempre uma imensa caixa de ressonância. A sua obra é uma das mais fascinantes da história da literatura, um património incomensurável.
ENTRE RUÍNAS E FANTASMAS propõe um encontro com Teixeira Pascoaes, com as suas raízes e os seus lugares, com a sua história e as suas palavras: um universo compósito, feito de livros e obras de arte, fotografias, mobiliário, papéis e objetos que nos falam de intimidade e pertença. O homem, o poeta, o filósofo… e a sua terra, como nos lembra Jaime Cortesão: “Depois atinge-se Amarante debruçada sobre o rio, vila antiga e solarenga dum santo e dum poeta, de São Gonçalo e de Teixeira de Pascoaes. Poetas como este, por vezes mais que os santos, santificam a vida”.
ENTRE RUÍNAS E FANTASMAS não é um espaço de arrumação do passado de Teixeira de Pascoaes, mas uma oportunidade de guardar o seu futuro.
A exposição pode ser visitada de segunda a sábado, das 9h30 às 12h30 e das 14h às 18h.

