Dalila Pereira da Costa nasceu no Porto há cem anos, no dia 4 de março de 1918. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Coimbra, em 1944. Desde o princípio da década de 70, publicou uma obra que podemos situar na fronteira entre a filosofia e a poesia: mais de trinta títulos que a tornam uma referência incontornável não apenas no âmbito do movimento da Filosofia Portuguesa, mas na História da Filosofia em Portugal, particularmente na sua expressão ensaística e poética, mística e profética. Morreu no dia 2 de março de 2012, com 94 anos incompletos.
A sua narrativa biográfica resulta num rumor de omissões intervaladas pelos títulos dos seus livros, pelos nomes dos seus principais interlocutores e por consensuais e encomiásticos epítetos. Mas se sobre a sua vida a informação é escassa, o mesmo não se passa em relação ao seu pensamento e à sua obra, que tem suscitado renovado interesse não apenas no meio académico.
Dalila Pereira da Costa teve um séquito discreto, mas fiel; escolheu o silêncio e a solidão de uma interioridade profunda, densificada pela erudição e pela introspeção; e tornou-se a figura matriarcal desse espaço de interseções que foi o movimento da Filosofia Portuguesa desde a década de 40, com Álvaro Ribeiro e José Marinho.
Em 2013, a Cosmorama publicou A experiência mística na obra de Dalila Pereira da Costa, dissertação apresentada por Joaquim Teixeira à Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa [Porto], em 1999, para a obtenção do grau de mestre em Teologia Sistemática. Com um prefácio de Ângelo Alves, esta é uma obra de referência, com renovada importância no contexto do centenário do nascimento de Dalila Pereira da Costa.