Afastada da vida pública desde 2006, por razões de saúde, Agustina Bessa-Luís morreu nesta segunda-feira 3 de junho de 2019, com 96 anos. Dizia ser mais conhecida do que lida, apesar das sucessivas reedições dos seus livros.
Conheci-a pessoalmente em 2006, na sua casa, no Porto. Preparava, então, a edição da antologia da poetisa alemã Hilde Domin: ‘Estende a mão ao milagre’. Agustina escreveu, então, o prefácio e permitiu que a Cosmorama publicasse ‘Dominga’, conto escrito em novembro de 1999, em que narra a sua estadia na casa de Hilde Domin, em Heidelberg.
Entregou-me pessoalmente o datiloscrito do conto, que transcrevi, revi e publiquei em junho de 2006. Encontrámo-nos pela última vez no dia 24 de agosto: Agustina muito branca, vestida de branco — uma imagem inesquecível. Nunca mais a vi.
Em 2008 foi impressa a 2.ª edição de ‘Dominga’. E em 2019 a Cosmorama reeditará a antologia de Hilde Domin, com o prefácio de Agustina Bessa-Luís e com o seu extraordinário conto, escrito há vinte anos.


José Rui Teixeira